Um homem comprou um velho avião por 100 mil dólares – e transformou o interior em uma casa espetacular

Não deve haver muita gente que veja um avião velho como um lugar perfeito para se viver. Porém, quando Bruce Campbell, do estado de Oregon, comprou um avião fora de uso por 100 mil dólares, ele teve essa ideia. Campbell possuía a imaginação e também a habilidade para transformar o avião comercial em uma casa. Logo, isso resultou em um imóvel realmente incrível.

O próprio Campbell confessou ser por natureza um “velho nerd”. Afinal, como era engenheiro elétrico, ele passou grande parte de sua vida em busca de conquistas tecnológicas. Inclusive, ele nunca se casou e, em seu próprio site, afirmou ser uma pessoa “socialmente inapta”.

No entanto, ainda que Campbell se considere um geek, isso não significa que ele seja avesso a um pouco de aventura. Provavelmente, deve ter sido por isso que ele, quando tinha 20 anos, comprou um terreno de 40 mil metros quadrados em uma floresta. Essa área está situada fora da cidade de Hillsboro, a qual fica próxima de Portland, em Oregon.

Campbell apresenta-se cético sobre uma das formas mais tradicionais de comprar uma propriedade. Em 2017, o engenheiro foi entrevistado para um episódio da série Alternative Living Spaces, do canal FLORB no Youtube. Lá, ele explicou: “Quando eu era jovem, eu não queria uma hipoteca”.

Então, como Campbell não queria pedir dinheiro emprestado para comprar uma casa, ele fez as coisas de forma diferente. Ele revelou: “Eu poderia ter comprado uma casa e suportado uma hipoteca como a maioria das pessoas fazem. Mas eu estava feliz o suficiente vivendo em uma casa móvel muito humilde e barata.” Assim, foi exatamente isso que ele fez.

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Havia um grande benefício nessa situação também: Campbell foi capaz de economizar e, então, investir parte do dinheiro disponível que ele tinha. No episódio de Alternative Living Spaces, ele revelou: “Minha intenção era esperar até que eu pudesse comprar uma casa em dinheiro. Dessa forma, eu nunca ficaria preso em uma dívida.”

Porém, quando Campbell havia finalmente juntado dinheiro suficiente para realizar esse sonho, a ideia de residência perfeita para ele tinha mudado um pouco. Ele explicou: “Naquela época, eu tinha parado de pensar no que diz respeito à terra. A tecnologia aeroespacial parecia uma opção maravilhosa”. Portanto, Campbell  voltou-se aos céus à procura de inspiração.

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O plano original dele era construir uma casa em sua área usando vagões de carga. Mas isso foi antes de se deparar com a Aircraft Fleet Recycling Association. Depois que ele se juntou a essa associação internacional sem fins lucrativos, tornou-se óbvio qual estrutura Campbell utilizaria para construir sua casa.

A Aircraft Fleet Recycling Association acredita na preservação de aviões fora de uso. Os defensores desses velhos transportes aéreos não querem simplesmente restaurar aeronaves. Ao invés disso, o movimento considera apropriado que as antigas estruturas sejam convertidas para atender outros usos, tais como casas. É aí que entra Campbell.

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Em seu site, Campbell desenvolveu com extremo entusiasmo seu pensamento ecológico sobre aeronaves aterradas. “Os aviões fora de uso são muito bem projetados”, escreveu ele. “[Eles] podem durar séculos (por meio de efetivo controle de corrosão), são extremamente resistentes ao fogo e proporcionam maior segurança. Estão entre as melhores estruturas que a humanidade já construiu”.

Entretanto, de acordo com Campbell, a maioria dos aviões possuem fins lamentáveis. Vários aviões são retirados de uso todos os dias no mundo todo e ele suspeita que grande parte seja simplesmente deixada para apodrecer. Embora as pessoas se interessem por esses motores a jato, as outras partes dos aviões são aparentemente consideradas inúteis.

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Com isso em mente, Campbell considera um crime que a grande maioria das aeronaves do mundo sejam descartadas após o serviço. Ele comprometeu-se, então, a salvar pelo menos um avião do mesmo destino, na esperança de inspirar mais pessoas a fazerem o mesmo no processo.

Em 1999, Campbell finalmente encontrou a aeronave perfeita para seu projeto. Era um jato Boeing 727 fora de uso e com uma rica história. Antes de ser retirado de serviço, o avião já havia transportado o corpo do magnata Aristóteles Onassis para sua terra natal na Grécia, em 1975. Jackie Onassis, a famosa esposa dessa figura, sentou-se na cabine para a viagem.

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Assim, depois de entregar mais de 100 mil dólares, o avião era de Campbell. Nada mau para uma peça de alta tecnologia multimilionária. No entanto, não demorou muito até que o engenheiro aposentado encontrasse seu primeiro grande problema. Como é que ele levaria o enorme jato para a sua propriedade?

Bem, acontece que a ação foi bastante simples. Na série Alternative Living Space, Campbell explica como a aeronave chegou ao seu destino: “Wayne Grippin e Swanson Trucking conseguiram transportar o avião ao aeroporto de Hillsboro e, então, como você pode ver, cortaram a floresta até chegar ao local”.

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Quando o avião já estava na propriedade, Campbell iniciou as atividades. Uma vez que se encontrava na zona de subducção de Cascadia, era importante que ele fizesse, o mais rápido possível, sua nova casa ser à prova de terremotos. Como é que ele conseguiu isso? Campbell usou o trem de pouso do avião. Assim, o jato pode ser estabilizado em caso de tremor.

Ao colocar o avião em seu trem de pouso, ele possuía alguma flexibilidade de movimento. Campbell explicou: “A ideia é permitir que a aeronave dance livremente em um terremoto.” Dito isso, ele já parecia bastante convencido de que a sua nova casa estaria em condições de resistir a um desastre natural.

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Campbell prosseguiu: “Depois de um terremoto, os repórteres nunca dizem que os aviões e os veículos foram danificados. Isso nunca acontece. São independentes e estão em seus próprios sistemas de suspensão. Eles superam e não é nada demais. Nenhum dano ocorre a menos que algo caia sobre eles”.

Então, o trabalho duro realmente começou quando o engenheiro iniciou a transformação da aeronave em um lar. As reformas custaram mais de 120 mil dólares, levando o investimento total de Campbell para 220 mil dólares. No entanto, parece que o céu era o limite no que diz respeito às despesas.

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Campbell precisava das conveniências modernas, portanto, ele cuidou desses aspectos práticos. Para começar, ele necessitava de acesso à água. Quando o avião estava funcionando, uma porta de serviço permitiu que a água fosse canalizada. Campbell expandiu esse recurso e também colocou um fornecimento elétrico e uma linha de telefone para sua nova casa.

Além de eletricidade e água corrente, a aeronave de Campbell também possui dois banheiros. Eles estão situados na parte de trás do avião e compartilha uma conexão de esgoto, a qual transporta resíduos para fora da aeronave através de outra porta de serviço; muito engenhoso.

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Há algumas adições mais divertidas na aeronave também. Por exemplo, se alguma vez for convidado para a casa de Campbell, você entrará através de um conjunto de “escadas aéreas” as quais se retraem e se estendem. Estes degraus levam até a parte de trás da aeronave, onde Campbell instalou, conforme foi descrito à Alternative Living Spaces, um “chuveiro muito rudimentar e primitivo.” Basicamente, é só uma mangueira dentro de uma banheira de plástico.

Também na parte de trás do avião estão os dois banheiros – um dos quais Campbell descreve como seu “banheiro de hóspedes”. Esses espaços parecem não ter sofrido alteração desde quando eram usados a bordo do avião comercial. São ambos compactos e cada um apresenta um vaso sanitário, uma pia e um espelho.

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Depois, há a área que Campbell denomina de “popa”, a qual tem muito espaço para armazenamento. Fazendo um tour por sua residência incomum na série Alternative Living Spaces, ele explicou: “A popa está repleta de todos os tipos de materiais industriais ou relacionados à construção no momento.”

Embora a popa funcione como um armazém, Campbell tem grandes planos para esse espaço no futuro. Ele revelou: “Em algum momento ou outro, isso vai evoluir para uma lavanderia ou para algum outro propósito, talvez uma cozinha. Não sei. Vou deixar a evolução seguir o seu curso”.

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Mais para o interior do avião, Campbell fez uma espécie de escritório. Todavia, enquanto o pessoal da Alternative Living Spaces estava por lá, o local encontrava-se em estado de desordem. Apontando para a mesa, o engenheiro disse: “[Isto é] minha bancada de trabalho, a qual está tão desorganizada agora que quase sumiu com o meu trabalho atual.”

Mas não se deixe enganar, porque Campbell transformou o avião em um habitável e confortável lar. Ele tem, aliás, uma “cozinha improvisada”, que inclui uma “geladeira de cinco décadas” e um carrinho de serviço originalmente usado a bordo em voos comerciais. No momento da entrevista, o seu estoque de comida era o suficiente para viver por cerca de quatro meses.

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E quanto à sala de estar de Campbell? Ela está situada acima do hangar principal do trem de pouso. Lá, ele tem um sofá-cama o qual aparentemente usa para dormir. Campbell acrescentou sobre a mobília: “Ela se dobra se eu precisar de mais espaço, o que ocorre de vez em quando”. Há também uma parte na qual ele pode pendurar suas roupas.

A incrível casa de Campbell possui um design moderno, iluminação sob medida e controle de temperatura. As asas da aeronave, inclusive, fornecem ao aposentado uma espécie de varanda. Ele disse à Alternative Living Spaces: “[A] asa direita é um local tanto de trabalho quanto de lazer para mim”.

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Assim, foi visto também a parte da frente do avião de Campbell, com uma cabine que permanece notavelmente intacta, graças aos esforços do engenheiro. Ele revelou: “A cabine de comando estava completamente esqueletizada pela empresa de resgate, mas eu consegui restaurar algumas coisas. Talvez uns 35%, acredito”.

O interior do avião possui várias modernidades e a parte externa fornece a Campbell maior proteção. Ele contou acerca disso à revista online Atlas Obscura: “[A estrutura é] incrivelmente forte, sustentável e de longa duração. Pode resistir facilmente a qualquer terremoto ou tempestade”.

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Além disso, viver literalmente em um avião vem com outros surpreendentes benefícios. Como Campbell revelou: “[O] interior é fácil de manter impecavelmente limpo, porque [é composto por] um filtro selado por pressão. Então, o pó e os insetos não conseguem entrar por ele, sendo altamente resistente a esses intrusos”.

Desde que adquiriu os seus incomuns aposentos, Campbell registrou os progressos que fez em seu site: AirplaneHome.com. Ele espera, assim, convencer outras pessoas a seguirem o seu exemplo. Depois de conhecer o estilo de vida de Campbell através da internet, será que dessa forma mais gente vai se interessar e fazer casas a partir de um avião?

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Entusiasmado com a sua rara casa, Campbell comenta com a Alternative Living Spaces: “Eu amo minha aeronave. Mesmo com todas as falhas e todos os problemas básicos, ainda é um ambiente maravilhoso para se viver. Apenas a pura beleza da tecnologia aeroespacial e alegria – confiamos nossas vidas a essas coisas e geralmente nos sentimos perfeitamente confortáveis fazendo isso”.

Se alguém quiser seguir o exemplo, então, talvez seja sensato ir à verificar na internet a pesquisa meticulosamente conduzida por Campbell. Na verdade, isso pode muito bem se revelar um passo de grande valor. Assim, o engenheiro concluiu que um Boeing 727 “parecia oferecer as características gerais mais atraentes”.

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Campbell continuou: “É uma casa de tamanho razoável para um indivíduo ou uma pequena família, mas não tão grande a ponto de não conseguir ser transportada por vias públicas”. A partir daí, ele acrescentou: “Os aviões, livres de centenas de passageiros e a desordem de seus assentos, são locais emocionantes para se viver.”

Ainda que Campbell esteja muito confortável em seu antigo avião, ele também passa seis meses do ano no Japão. À propósito, em 2016, ele revelou que estava à procura de um Boeing 747-400 fora de uso. Por quê? Aparentemente, é por conta de um plano que envolve uma casa fora da cidade japonesa de Miyazaki.

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Se Campbell conseguir um avião desses, equipar a sua segunda casa será o seu maior projeto até hoje. Dado que um Boeing 747-400 tem capacidade máxima de 660 passageiros, isso significa que essa aeronave é três vezes maior que sua casa em Oregon.

A fim de realizar seu sonho de ter uma casa no Japão, o engenheiro aposentado lançou um apelo às companhias aéreas que possuem o modelo 747-400 através de um artigo publicado pelo jornal San Antonio Express-News, em 2016. Campbell disse: “Um segundo projeto soberbamente executado, que preserva quase toda a aeronave original em sua elegante e reluzente grandiosidade, atrairá enorme interesse da imprensa mundial por um longo tempo e, portanto, terá considerável valor promocional para uma companhia aérea parceira”.

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Mesmo que o sonho de Campbell de transformar um segundo avião em casa nunca se torne realidade, com certeza o “velho nerd” continuará a promover seu estilo de vida único. Como ele disse à Atlas Obscura: “Os aviões são obras magistrais da ciência aeroespacial. Sua engenharia superlativa é incomparável a qualquer outra estrutura que as pessoas possam viver”.

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